quarta-feira, 14 de setembro de 2011

À espera da chuva


Com esses dias amanhecendo assim meio emburrados, eu me encho de expectativa logo de manhã: tem chuva boa vindo aí! Mas, que nada! O dia termina do mesmo jeito que começou, sem uma gota d’água caindo do céu.

Ai, que saudade da chuva! Chuva farta escorrendo por entre as gramas do jardim, encharcando minha roseira ainda sem flor. Chuva começando a gotejar no varal repleto de roupa lavada, alarmando a família inteira que se põe a correr para o quintal. Chuva forte teimando em fazer uma goteira no telhado para se infiltrar casa adentro, formando um desenho molhado no chão.

Essa ansiedade pela chuva que não chega me remete a minha infância, quando, diante de uma estiagem, as pessoas tinham por hábito lavar o santo nas águas do rio. Na rua onde eu morava, a vizinhança inteira se reunia e, em procissão, caminhava até o rio, onde o santo era mergulhado nas águas, sob as preces dos caminhantes.

Nós, as crianças, acompanhávamos aquilo com muita admiração. A coisa tinha uma conotação de festa, com um sabor de aventura que nos divertia e deliciava.

Pois, não é que dois ou três dias depois, a chuva caía, mansa e farta? Pra comemorar, nos esbaldávamos na enxurrada. De um jeito que não se faz mais hoje.

sábado, 10 de setembro de 2011

Entre sopas e caldos


Fiz uma cirurgia na boca para resolver um problema odontológico e... isso mesmo, estou quase à míngua. Brincadeirinha! É que, como boa gaúcha que sou e adepta por demás de uma costela (bem) assada no espeto, estou me ressentindo de não poder comer carne. Então, estou me virando entre uma sopinha aqui, um caldinho lá... E o que é pior: o tratamento que estou fazendo deve demorar ainda um bocado. Nesse tempo – ai, ai, ai – vou ter que me contentar com purê de batata e carne moída.

Mas, já que estou falando em problema de saúde bucal, vou aproveitar para contar um caso que aconteceu com uma amiga minha: quando tinha 13 ou 14 anos ela decidiu extrair os dentes e colocar uma dentadura. É que, antigamente, não se fazia prevenção, havia pouco cuidado com os dentes e era muito comum as pessoas usarem dentadura. Então, ela aproveitou que tinha ajuntado um bom dinheiro com seus serviços de faxina e correu para o dentista para fazer logo o procedimento. Extraiu todos os dentes da boca, independente de estarem bons ou ruins. A justificativa era muito simplória: “o preço estava bom, eu tinha o dinheiro e... vai que quando chegar a hora de fazer isso eu não possa pagar?”, conta ela, hoje.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Dia da Pátria

Quando eu era menina, desfilar no dia 7 de setembro era coisa obrigatória. Nesse dia, tínhamos que nos vestir impecáveis: saia pregueada bem passada, blusa branca alvejada, sapatos pretos bem lustrosos, meias ¾ brancas, geralmente novas, cabelos bem arrumados. Assim aprumados, seguíamos, cada qual no seu pelotão, marchando rua afora, uma marcha ensaiada durante dias, semanas até. E a família lá, na beira da calçada, assistindo, aplaudindo e chamando a gente pelo nome. Além de manter o semblante sério, disfarçando o sorriso amarelo que brotava quando reconhecidos pela platéia, tínhamos que nos esforçar para não sair do alinhamento e nem perder o ritmo da marcha.

Duas ou três vezes desfilei na banda do colégio, bem na frente, tocando bumbo. Eu numa ponta, minha irmã na outra, empertigadas dentro daquele uniforme cheio de franjas, abrindo o desfile da escola. Uma glória!

Mas o melhor de tudo era a paquera que rolava na concentração. Aquela paquera à moda antiga, recheada de timidez, que fazia o Dia da Pátria se encher de emoção e o coração bater forte, no compasso da banda. Tum Tum Tum.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Ah, a lua!

De vez em quando olho para o céu e vejo a lua, bonitona lá no alto, ora um fio de luz recurvado, ora uma bola que de tão redonda parece que vai explodir em milhões de pedacinhos brilhantes. E aí penso que esse de vez em quando deveria ser mais constante. A lua é coisa para se olhar todos os dias. Para se maravilhar com seu lento caminhar. Para se apreciar cada uma de suas fases. Para deixar que ela nos encha os olhos. E nos abarrote o peito. E nos alimente a alma.

Pena que a gente vive sem tempo de olhar a lua. Mesmo quando se tem tempo. São tantas coisas a nos deter a atenção que nos esquecemos da lua. E ela nem reclama. Fica quientinha lá no seu posto de observação do mundo. E com seu gracioso movimento, tenta nos seduzir. Em vão!

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

No compasso desta dança

Quem, como eu, adora dança, vai se apaixonar por esse curta, 100 YEARS / STYLE / EAST LONDON, feito para anunciar a abertura do maior shopping center urbano na Europa. O vídeo mostra em exatos 100 minutos a evolução da moda, da música e da dança. Portanto, quem não gosta de dança, terá outros bons motivos para assistir, como a música e os figurinos. Delicie-se:


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

É massa!

Sou do tempo em que uma coisa bonita podia ser BACANA, um amigo, BICHO, um homem feio, BOFE, um homem bonito, PÃO, uma pessoa conservadora, QUADRADA, uma pessoa moderna, PRA FRENTE, uma coisa fácil, BATATA, a turma de amigos, PATOTA, algo bonito, JOIA, entrar em depressão, CAIR NA FOSSA, e por aí afora.

Com o tempo, essas expressões, pelo menos a maior parte delas, caíram em desuso. Surgiram outras, mais modernas, TIPO ASSIM: coisa bacana é IRADA, patota virou GALERA, amigo é PARCEIRO, gente boa é DO BEM, coisa estranha é TOSCA, homem bonito é SARADO, mulher bonita é GATA, trabalho é TRAMPO e outras tantas.

E nós, os COROAS, ficamos aí no meio, às vezes constrangendo a moçada com nossas expressões CARETAS, às vezes surpreendendo-os com o uso de sua própria linguagem. Não é MASSA? Mas, NA MORAL, a gente faz de tudo para não PAGAR MICO!

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Festival de bolinhas


Tem constrangimento maior do que você chegar numa festa e dar de cara com alguém com um vestido igualzinho ao seu? Tem, sim. É quando você chega numa festa e a estampa da sua roupa faz parte da decoração.

E sabe quem pagou esse mico? A própria que vos fala (ou que vos escreve). A minha blusa de bolas brancas sobre fundo preto era igual a toalha da mesa, de cor preta com bolas brancas, usada na decoração da festa. Fazer o quê, senão levar na esportiva e tirar de letra? E, claro, dar umas boas gargalhadas.