segunda-feira, 25 de julho de 2011

Burrice tem custo


Olha só! Descobri que estou pagando junto com a minha conta telefônica um seguro no valor de R$ 12,59 e um tal serviço de consulta de R$ 4,90. Todo mês. E há mais de um ano.

E sabe por que? Por falta de conferência na conta. Ou, melhor dizendo, por burrice. Como o meu plano incluía duas linhas, mais o serviço de BR Turbo, mais Bina, fazia o pagamento sem verificar item por item, observando apenas se havia ou não excesso nas ligações.

Já que adquiri um plano novo, incluindo telefone celular, e a conta do fixo continuou vindo em separado, liguei para verificar e fiquei sabendo que isso estava ocorrendo em razão dos serviços de terceiros, ou seja, do seguro e do bendito serviço de consulta que ainda não entendi para que serve.

Segundo a atendente da operadora, ambos os serviços foram contratados e a contratação foi gravada, porém, essa gravação não está disponível. “Senhora, não temos acesso a essa gravação”, insistiu a moça com aquela entonação de boa educação fingida e também o supervisor dela, com quem eu pedi para falar.

Pelo jeito, só me resta o caminho da justiça para reaver o meu rico dinheirinho, que só no último ano totalizou R$ 209,88, o que corresponde a dois pares de sapato ou uma boa calça jeans ou um DVD Player ou... .

E você, tem conferido as contas que está pagando ou vai usar um chapéu de asno que nem eu?


quinta-feira, 14 de julho de 2011

A moça e a vaga do idoso

Chegando ao shopping, vi uma jovem manobrando para estacionar numa vaga para idoso. Parei o carro e fiquei observando ela desembarcar de sua bela caminhonete, pegar a bolsa e, lépida e fagueira, seguir em direção à porta principal do shopping. E eu fiquei ali, de boca aberta, surpresa com a cara de pau da garota. E indignada!

Por que alguém de vinte e poucos anos ocupa uma vaga reservada aos idosos? Porque não tem educação. Porque não tem princípios. Porque não tem valores. Valores que a maioria de nós recebeu dos pais, que os receberam de nossos avós e que agora procuramos transmitir aos nossos filhos e netos. Valores que essa moça, como tantas outras moças e moços, não receberam ou não absorveram ou perderam, ou, ainda, não fazem questão de respeitar.

São esses valores que fazem diferença dentro da sociedade e que, aliás, estão sendo tão necessários nesses tempos de tanto mau-caratismo.

O problema do uso indevido das vagas especiais foi motivo de uma campanha realizada pela agência TheGetz, em Curitiba, que usou como argumento a situação inversa. Veja o vídeo:


sábado, 9 de julho de 2011

Vizinho Camarada

No meu bairro está sendo desenvolvido um projeto que se chama SEJA UM VIZINHO CAMARADA. É uma iniciativa muito legal que coloca a comunidade lado a lado com a polícia e funciona de uma forma muito simples: os vizinhos formam uma rede de contato e através dela podem monitorar a movimentação nas residências ao redor da sua, identificando fatos fora do comum como a circulação de pessoas estranhas, a presença de veículos suspeitos, portões abertos, etc. A evidência de fatos estranhos pode ser comunicada ao próprio vizinho, através do telefone que consta de uma lista comum aos moradores, ao Comando da Companhia ou ainda diretamente à Guarnição Policial.

Com a supervisão direta da Companhia de Policiamento Comunitário da Polícia Militar, o projeto se complementa com rondas freqüentes da polícia no bairro e reuniões com os moradores para avaliar os resultados e conscientizar a comunidade.

E o que mais me surpreendeu na última reunião, da qual participei, foi o empenho da equipe policial responsável, em contrapartida à baixa participação da comunidade. O capitão que apresentou o andamento do projeto e que acompanha pessoalmente sua execução fez, ele próprio, as ligações telefônicas convidando a comunidade.

Pouquíssimas pessoas atenderam ao chamado, confirmando que o povo prefere a lamentação à ação. É claro que o governo é muito ineficiente nas áreas que lhe compete atender a população, como é o caso da segurança pública. Porém, conforme observou o dedicado capitão que comandou a reunião, se a comunidade se mobilizar sempre é possível conseguir um pouco mais.

Quanto ao projeto, embora a fraca participação comunitária e as limitações da polícia em termos de pessoal e viaturas, a iniciativa vem contribuindo para reduzir a incidência de furtos e roubos nas residências.

Não é uma boa notícia?

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Uma Cidade Verde de verdade

Depois de passar alguns dias em Curitiba, não tem como não fazer algumas comparações. Bem ao contrário de Cuiabá, a cidade é muito limpa e ordenada. Há canteiros floridos pra todo lado, nas calçadas, no centro das avenidas, nos jardins das casas, formando uma profusão de cores que enfeitam e encantam.

E o serviço de transporte urbano? Os ônibus trafegam novinhos, limpinhos e repletos de inovações, para o conforto dos passageiros que vêm de diferentes classes sociais. Imagine que depois das estações-tubo, dos ônibus articulados e dos biarticulados e ainda dos ligeirinhos, agora é a vez do ligeirão – o maior ônibus do mundo – que mede 28 metros e tem capacidade para 250 passageiros.

A capital paranaense é considerada um modelo em soluções urbanísticas e a maior delas é, de fato, o transporte público, embora a educação e o meio ambiente também lhe garantam fama internacional. Inovações como a Rua 24 horas, uma galeria aberta ao público 24 horas por dia, e os Faróis do Saber, bibliotecas comunitárias existentes em vários bairros que funcionam em apoio às escolas municipais e como pontos de referência cultural e de lazer para a comunidade, bem como a Ópera de Arame, ambientada em uma antiga pedreira, confirmam a característica vanguardista dessa metrópole que é reconhecida como a capital com melhor qualidade de vida do Brasil.

Curitiba é uma benção para os olhos dos turistas que podem se fartar com a beleza de seus parques, como o Bosque do Papa, o Jardim Botânico e o Barigüi, tradicionais pontos de lazer dos curitibanos. No total, a cidade possui 81 milhões de m² de área verde preservada. São 55m² de área verde por habitante, três vezes superior ao índice recomendado pela Organização Mundial de Saúde, de 16m².

Esta, sim, é uma Cidade Verde de verdade.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Bonecas negras

Essa história eu ouvi no rádio um dia desses: o cara, que é negro, queria dar uma boneca negra de presente para a sobrinha e se espantou com a variedade disponível no mercado de brinquedos. Diferente, segundo ele, de alguns anos atrás, quando ele procurou, em vão, uma versão negra do Ken – namorado da Barbie – ou algo semelhante para dar de presente à namorada, para que ela se lembrasse dele enquanto ele estivesse viajando. “Acabei comprando um Saci”, brincou.

O mercado está, de fato, ofertando muitas opções de boneca negra, como a Tre-Lê-Lê, a Nenequinha, a Gargalhada, a Milkinha Petit e até mesmo várias versões da Barbie. Há, inclusive, uma loja em São Paulo, a Preta Pretinha, especializada na fabricação de bonecos negros, como também de outras etnias, uma iniciativa de três irmãs negras que, quando crianças, não se reconheciam nas bonecas loiras e de olhos azuis que enchiam as vitrines das lojas de brinquedos.

Assim como o rapaz do rádio e as irmãs negras, tem mães que, independente da cor da pele dos filhos, desejam ensiná-los desde cedo sobre diferenças, tolerância e respeito e acreditam que é importante essa convivência com bonecos que fogem ao padrão europeu dominante nesse segmento. Um padrão que dita conceitos e escancara o preconceito.

Não sei qual é a sua cor, nem o que você pensa sobre isso e muito menos se compraria uma boneca negra para dar de presente a uma criança, mas compartilho com você um vídeo que “pesquei” na Internet e que me encheu de tristeza:


segunda-feira, 30 de maio de 2011

Livros, escritores e leitores


Neste fim de semana li A vida sexual da Mulher Feia, da gaúcha Claudia Tajes. Ta estranhando o título? Pois eu também estranhei. Mas, saiba que o livro reflete exatamente o título que tem. E é hilário. Às vezes, um tanto patético, cruel até. O que não é nenhuma surpresa nesses tempos em que se cultua tanto a beleza física.

Falando de literatura, tive o prazer de assistir a uma palestra com o jornalista, escritor e cronista Ignácio de Loyola Brandão. O maravilhoso escritor é também um magnífico orador. E que veia cômica! Virei sua admiradora.

Como parte do programa, participei de uma oficina de leitura, onde ficou evidenciada a presença maciça de pedagogas – ai, esse termo pedagoga carrega um charme, uma elegância, um não sei o quê de sofisticação.

Pois, então, as pedagogas que lá estavam, praticamente todas elas desempenhando o ofício de ensinar, são, a maioria delas, péssimas leitoras. Com uma ou outra exceção, descobriram a necessidade – não o prazer – de ler somente quando chegaram à universidade. É óbvio que seus alunos serão, também, péssimos leitores, afora um ou outro que receba estímulos dos pais ou de algum amigo dos livros.

É lamentável essa falta de interesse pela leitura, que produz levas de estudantes que escrevem absurdamente mal. E que também são pouco criativos. Além de que deixam escapar a oportunidade de embarcar nas deliciosas viagens e aventuras que os livros proporcionam a quem a eles se entrega.

E, voltando à oficina, uma experiência relatada lá me fascinou: a de uma mulher que tomou gosto pela leitura através de sua babá, que, curiosamente, não sabia ler. “A babá me contava histórias e me mostrava os livros onde – dizia – eu poderia descobrir muito mais, o que ela não podia fazer, pois não sabia ler”, contou. Dá para imaginar o tamanho da capacidade inventiva dessa babá, caso soubesse ler?

sexta-feira, 27 de maio de 2011

O homem da cobra

Há quanto tempo eu não via um “homem da cobra”, aquele artista-vendedor de medicamentos que se apresenta nas praças das cidades e que popularizou a expressão “fala mais que o homem da cobra”. Pois bem, o homem da cobra estava lá, numa barraquinha na feira de domingo, polarizando a atenção das pessoas e prometendo mostrar uma tal cascavel que, embora eu tenha permanecido um tempo por ali, cansei de esperar para ver. Também não confirmei se ele serviu a poção que estava sendo preparada num pilão onde de pouco em pouco ele acrescentava uma pitada de diferentes tipos de ervas, e que prometeu compartilhar gratuitamente com quem quisesse.

Com um cocar na cabeça e se passando por índio – embora de índio ele não tivesse nada mais do que o enfeite no cocuruto – o sujeito falava tanto quanto o homem da cobra e ilustrava sua conversa com figuras estampadas em folhas amareladas e puídas que despertavam a atenção dos passantes. Fotografias e desenhos de partes do corpo humano tomadas de úlceras, para cujos males ele indicava o remédio, povoavam aquelas páginas. Algumas fotografias de índios nus também faziam parte do acervo mostrado, com a indicação de que se tratava de parentes seus. “Esta é minha sobrinha, aquele é meu irmão”, apontava nas fotos desgastadas, atribuindo a boa forma física da “parentela” aos costumes indígenas e ao uso constante das ervas.

Enquanto desfiava um rosário de doenças que podem acometer o ser humano, o homem exibia uma coleção de vidros contendo vermes, lombrigas e outros bichos extraídos, segundo ele, de pessoas doentes. E o povo se acotovelava para ver aquele espetáculo de horror. É assombroso como as pessoas têm prazer diante da visão do que é sinistro.

Bem, como não fiquei para o chá, não vi a cobra. E nem o que esse marketing todo rendeu ao dono da cobra. Quem sabe num outro domingo...