sábado, 14 de abril de 2012

I am very bad in english


Eu já consegui superar muitas limitações, como dirigir, parar de fumar, fazer exercícios físicos, ficar alguns períodos sem consumir doces... Mas tem uma coisa que eu não consigo superar: a dificuldade de falar inglês. Já virei até piada para minhas filhas. “Mãe, fala Harry”, provocam elas, rachando de rir com meus “Reury”, “Rery”, “Eury”...

Isso vem desde o ginásio – sim, eu sou do tempo em que o ensino fundamental era dividido entre primário e ginásio – quando tínhamos um professor que não sabia nem falar e nem ensinar inglês. Felizmente, ele também não sabia corrigir as provas, então eu ia passando de ano. Mais tarde, na faculdade, eu tive que fazer duas línguas, o espanhol, que sempre tirei de letra, e o bendito inglês, uma barreira que consegui ultrapassar a muito custo, com a ajuda dos colegas e muita – muita mesmo – consideração do professor.

Eu conheço o significado de um bom número de palavras e expressões e consigo entender muita coisa que se fala, principalmente depois que comecei a prestar mais atenção nos diálogos dos filmes e seriados. Agora, quanto a pronúncia... ah, essa eu passo. Não queira me ouvir falando friends, girl, answer, wednesday, white, sausage, married…, entre tantas outras. A não ser, é claro, que você queira dar uma boas gargalhadas.

sábado, 7 de abril de 2012

Lembranças da Páscoa


Passando com minha filha embaixo da “parreira” de ovos de Páscoa de um supermercado, ela comentou o quanto isso lhe trazia boas lembranças. Ela lembrou das manhãs de domingo de Páscoa, em que ela e a irmã saíam pela casa atrás das pistas que levavam a uma cesta cheia de ovos. O cheiro daquelas manhãs estava ali, debaixo da “parreira’ de ovos de chocolate.

As lembranças dela ativaram as minhas próprias lembranças. Ninguém fazia cestas de Páscoa igual a minha mãe! Ela começava guardando as cascas de ovo de galinha que depois eram pintadas e recheadas com amendoim açucarado. Os ovinhos eram colocados em cestinhas feitas com caixas de papelão recobertas com papel de seda colorido e franjado, que chamávamos de ninho. Então, os ninhos eram escondidos pela casa e o crédito era todo do coelhinho.

Como ficavam lindas aquelas cestinhas!

E quanto carinho havia ali dentro!

E quanto alegria traziam a nossa infância!

Que saudade!

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Retratos na parede



As pessoas, antigamente, tinham o hábito de pendurar na parede da sala um retrato dos donos da casa, normalmente tirada no dia do casamento. Com um leve colorido feito à mão e adornos inexistentes no original como um brinco, uma gola ou mesmo um bigode, as fotografias se impunham como que a indicar sob quem estava o comando da residência.

Eu me lembro da foto que havia na casa dos meus avós, em que o meu avô se parecia muito mais com o meu pai do que com ele próprio. Minha avó – que tinha a cara da minha tia – ficava lá no quadro espreitando a gente. O mesmo acontecia na casa dos outros parentes, os casais estavam lá, no alto da parede, impondo respeito e comandando a família.

Hoje já não se penduram mais retratos nas paredes. Embora jamais tenham se disparado tantos clicks. Crianças, jovens, adultos... todo mundo carrega uma máquina digital na mão e aciona o botão diante das cenas mais inusitadas. Entretanto, tirando a exposição em um ou outro porta-retrato, as fotografias tem ido parar mesmo é no espaço virtual, nas redes sociais.

Também os álbuns, que folheávamos com cuidado no passado mudaram de endereço. Não estão mais nas gavetas das penteadeiras, dos armários ou das cristaleiras. Eles agora recheiam os conteúdos dos perfis na Internet ou são armazenados em um porta-retrato digital. E – o que eu acho fantástico – de forma simples e instantânea.

São os avanços da tecnologia, as vantagens e facilidades criadas pela revolução digital. Pena que – o que eu sinto muito – sem conservar o charme e a nostalgia que embalaram os meus tempos de meninice. 

sábado, 31 de março de 2012

Ah... os sabonetes!



Hoje eu trouxe pra casa um sabonete Alma de Flores. Não resisti. Ele estava lá, na seção de perfumaria do supermercado, evocando minhas lembranças. E não é que o perfume continua o mesmo? Mantendo a fórmula original, com essências de rosas, jasmins e flores de lavanda, o sabonete atravessou décadas com poucas mudanças em sua embalagem. A caixinha azul ganhou um tom esverdeado e prevaleceram, com algumas alterações, as rosas e a moça em traje de gala que enfeitam a embalagem.

Alma de Flores era um sabonete que não ficava na prateleira do nosso armazém – o mercado de propriedade dos meus pais onde eu e meus irmãos trabalhávamos desde muito cedo –, junto com os produtos de higiene. Alma de Flores ficava na vitrine do balcão, no espaço destinado aos itens mais delicados e que comumente eram usados para presentear.

Pois o danado do sabonete agora está aqui, tentando me seduzir com seu delicado perfume. Logo eu que sou apaixonada por Phebo!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O Analista de Bagé



Entre os meus escritores preferidos está o gaúcho Luis Fernando Veríssimo que eu admiro principalmente pela capacidade de satirizar os costumes e por ter criado um tal de Analista de Bagé, um psicanalista grosso e cheio de tiradas capaz de fazer a gente morrer de rir. A seguir, alguns trechos das histórias desse freudiano "mais ortodoxo que caixa de maizena":

"Certas cidades não conseguem se livrar da reputação injusta que, por alguma razão, possuem. Algumas das pessoas mais sensíveis e menos grossas que eu conheço vem de Bagé, assim como algumas das menos afetadas são de Pelotas. Mas não adianta. Estas histórias do psicanalista de Bagé são provavelmente apócrifas (como diria o próprio analista de Bagé, história apócrifa é mentira bem educada) mas, pensando bem, ele não poderia vir de outro lugar.

Pues, diz que o divã no consultório do analista de Bagé é forrado com um pelego. Ele recebe os pacientes de bombacha e pé no chão.

— Buenas. Vá entrando e se abanque, índio velho.
— O senhor quer que eu deite logo no divã?
— Bom, se o amigo quiser dançar uma marca, antes, esteja a gosto. Mas eu prefiro ver o vivente estendido e charlando que nem china da fronteira, pra não perder tempo nem dinheiro.
— Certo, certo. Eu...
— Aceita um mate?
— Um quê? Ah, não. Obrigado.
— Pos desembucha.
— Antes, eu queria saber. O senhor é freudiano?
— Sou e sustento. Mais ortodoxo que reclame de xarope.
— Certo. Bem. Acho que o meu problema é com a minha mãe.
— Outro.
— Outro?
— Complexo de Édipo. Dá mais que pereba em moleque.
— E o senhor acha...
— Eu acho uma pôca vergonha.
— Mas...
— Vai te metê na zona e deixa a velha em paz, tchê!"

~//~

"Contam que outra vez um casal pediu para consultar, juntos, o analista de Bagé. Ele, a princípio, não achou muito ortodoxo.
— Quem gosta de aglomeramento é mosca em bicheira... Mas acabou concordando.
— Se abanquem, se abanquem no más. Mas que parelha buenacha, tchê! . Qual é o causo?
— Bem — disse o homem — é que nós tivemos um desentendimento...
— Mas tu também é um bagual. Tu não sabe que em mulher e cavalo novo não se mete a espora?
— Eu não meti a espora. Não é, meu bem?
— Não fala comigo!
— Mas essa aí tá mais nervosa que gato em dia de faxina.
— Ela tem um problema de carência afetiva...
— Eu não sou de muita frescura. Lá de onde eu venho, carência afetiva é falta de homem.
— Nós estamos justamente atravessando uma crise de relacionamento porque ela tem procurado experiências extraconjugais e...
— Epa. Opa. Quer dizer que a negra velha é que nem luva de maquinista? Tão folgada que qualquer um bota a mão?
— Nós somos pessoas modernas. Ela está tentando encontrar o verdadeiro eu, entende?
— Ela tá procurando o verdadeiro tu nos outros?
— O verdadeiro eu, não. O verdadeiro eu dela.
— Mas isto tá ficando mais enrolado que lingüiça de venda. Te deita no pelego.
— Eu?
— Ela. Tu espera na salinha."

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Eu troco o BBB por um livro


Então, na tela, mais um BBB. Algo de novo? Nada. O velho festival de caras e bundas, amassos e pegação na piscina, na grama, na cama. “Heróis” mais que nutridos e entupidos de sólidos e de líquidos, se esbaldando nas pistas de dança e protagonizando o milionário show que vende carros, bebidas, alimentos, xampu, sabão e o que quer que seja.

Os brothers, cujo talento não costuma ir muito além de se exibir com pouca roupa, sacudir o traseiro e se refestelar na piscina, são exímios em promover baixarias, armadas ou não, que ganham proporções gigantescas, levando a audiência nas alturas e triplicando os ganhos da emissora. Vale tudo nesse jogo que atropela valores feito um rolo compressor.

Enquanto isso, tanta gente competente fora do ar. Artistas talentosos que poderiam nos brindar com sua arte não têm espaço na TV.

Mas, nem por isso nós, que estamos do lado de cá da tela, temos que engolir essa baboseira. É só usar o controle remoto. Para mudar o canal ou, simplesmente, para desligar a TV. De minha parte, troco o BBB por um bom livro.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Quer passar raiva? Vá ao Detran!



Hoje fui ao Detran renovar minha carteira de motorista. Como sempre, passei muita raiva. É impressionante como o serviço desse órgão é ruim. E fica cada vez pior. É tanta desorganização, tanta lentidão, tanta burocracia, tanta má vontade no atendimento, que mexe com os nervos de qualquer cidadão.

Eu não sei onde é aplicada toda a arrecadação feita pelo Detran e nem para que serviços ela se destina, mas de uma coisa eu tenho certeza: nada disso é revertido para prestar um atendimento decente aos contribuintes. Então, já é de praxe padecer nas longas filas de espera e se submeter ao processo nada dinâmico dos serviços prestados, embora as taxas de valor considerável cobradas.

“O Detran está sucateado”, falou a funcionária para quem eu pedi, emprestado, um grampeador e que me alcançou um negócio desengonçado e que não grampeava coisa nenhuma. Não é de duvidar, pelo que se vê no mau funcionamento. Mas é difícil de acreditar, quando se observa a movimentação constante de pessoas no caixa, onde, inclusive, contrariando uma tendência que impõe o uso de máquinas de débito até nas feiras livres, só é admitido o pagamento em dinheiro.