A Páscoa está chegando. Já estou sentindo o cheiro
dela. Até porque, não tem como não sentir. As lojas estão abarrotadas de ovos
de chocolates. E dos mais variados tipos e modelos. Tem ovo representando quase
todos os sabores de chocolate. Tem ovo grande. Tem ovo pequenininho. Tem ovo
com surpresinha. Tem ovo só para meninos. Tem ovo só para meninas. Tem até ovo
que não é ovo, é um bombom ou é uma maletinha.
O cheiro da Páscoa me leva a fazer uma viagem pela
minha infância, quando os ovos não eram de chocolate, eram de açúcar. Delicadas
peças de açúcar brancas, enfeitadas com florzinhas de anilina azuis, amarelas e
cor de rosa. Um pouquinho enjoativos, pelo excesso de açúcar, mas verdadeiras
obras primas que faziam a alegria da criançada.
Mas o melhor da festa eram mesmo os ovinhos caseiros
que a minha mãe fazia às escondidas para nos surpreender no domingo de Páscoa. Eram
ovinhos de galinha guardados por semanas e então pintados com papel de seda
colorido e recheados com amendoim açucarado, que no Sul chamamos de carapinha.
Depois de prontos, os ovinhos eram colocados em
cestas feitas com caixas de papelão e enfeitadas com franjas coloridas, que
depois eram escondidas para serem encontradas no domingo de Páscoa. O trabalho
era todo da mamãe, mas o crédito era todo do coelhinho.
Que saudade!






