domingo, 25 de julho de 2010

Argh! A campanha política está nas ruas!

Uma cena patética logo cedo a poucos quarteirões de casa: uma mulher esparramada em uma cadeira no canteiro da avenida, sob um guarda-sol, apoiando ou simplesmente fazendo a guarda de uma placa de propaganda política. A mesma cena eu vi repetida no decorrer do dia em outros canteiros de outras avenidas.

O que me pareceu mais engraçado é que aquelas pessoas pareciam estar na casa delas: uma garrafa térmica com água ou suco ao lado, sacolas que provavelmente tinham um lanchinho dentro e até uma rodinha de bate-papo com conhecidos.

Não faço ideia de quanto elas estão ganhando para fazer esse trabalho, mas não tenho dúvida de que vou ajudar a pagar essa conta. Aliás, os gastos com a campanha começaram mesmo pra valer. Vi inúmeros carros desfilando hoje pela rua, carregando, em grandes adesivos, a cara de candidatos às eleições desse ano. Confesso que já enjoei da cara de alguns deles no começo da campanha. Vai ser duro aguentar até o fim. Mas, o pior ainda é saber que o dinheiro para pagar essa farra toda sai do meu, do seu, do nosso bolso.


quarta-feira, 7 de julho de 2010

Bebida com bula?

Domingo de manhã, perto das nove horas, num curto trajeto, me deparo com dois acidentes. Num deles, uma caminhonete tombada em um local de farta sinalização, deixava claro a imprudência motivada pelo consumo de álcool. No outro, que mandou os ocupantes todos para o pronto socorro e por pouco não deu perda total nos dois veículos, rendeu um comentário cômico – não fosse trágico – por parte de uma testemunha que presenciou o acidente: “a mulher saiu do carro toda machucada, mas em nenhum momento largou a latinha de cerveja que estava segurando na mão”.

São tantos acidentes que poderiam ser evitados... São tantos carros destruídos... São tantas pessoas machucadas... São tantas vítimas fatais...

Imagine quanta coisa poderia ser evitada se houvesse um pouquinho mais de consciência por parte de quem assume o volante sem ter condição para tal.

Lembro de uma ocasião em que lamentei não ter impedido – se é que eu conseguiria – que um casal embriagado saísse dirigindo. A dupla não foi além da primeira esquina. Se espatifou num ponto de ônibus e consumiu o trabalho de muita gente em função do tamanho dos estragos. Nenhum dos dois morreu, mas eles chegaram bem perto.

E não se trata de gente jovem, não. São pessoas maduras, que saíram da fase de risco há muito tempo.

Tomar um choppinho ou uma cervejinha é, de fato, uma delícia – não vou negar, até porque sou consumidora. Mas a bebida talvez tivesse que vir acompanhada de uma bula.

Ora, ora, que bobagem! Ninguém, jamais, iria ler a dita cuja. No máximo, iria colocar a danada virada para baixo, do mesmo jeito que se faz com a carteira de cigarros, que é para não ver aquelas figuras horrorosas que sugerem riscos de impotência, aborto, câncer e outros problemas decorrentes do tabagismo. Ou você já viu alguém parar de fumar por conta daqueles desenhos apelativos que estampam as embalagens?

É, acho que nem bula, nem estampa, nem nada...

Apenas um pouco mais de juízo!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

O mal não tem cara

De manhã cedo – cerca de 7 horas – uma senhora pediu um copo d’água no portão de casa. Achei isso muito estranho e mil pensamentos vieram-me à cabeça – ninguém pede água na casa dos outros a essa hora da manhã –, mas, embora receosa, alcancei-lhe a água por entre as grades do portão. Assim que levou o copo à boca e tirou uns três goles, ao mesmo tempo em que segurava o celular como se estivesse falando com alguém, a mulher despencou no chão. Levei um tremendo susto, mais por medo de uma encenação do que pelo fato em si da mulher estar ali caída, possivelmente precisando de ajuda. Corri de volta pra dentro de casa, chamando mais gente e quando retornei, um vizinho já estava socorrendo a mulher.

Assim que acordou do desmaio, ela explicou que é do interior, está doente e faz tratamento de saúde em Cuiabá. Estava procurando a casa onde iria se hospedar, mas acabou se perdendo. O próprio vizinho ligou para uma amiga dela e combinou de deixá-la em um ponto de referência. E eu fiquei ali, condoída, morrendo de remorso e pensando: que mundo é este em que a gente fica com medo de alcançar um copo d’água ou de socorrer uma pessoa que desmaia no portão de nossa casa?

Mas, depois de refletir um pouquinho, concluí que o mundo em que estamos vivendo é esse mesmo. E não combina com a nossa bondade, com o nosso sentimento de compaixão, com o nosso desejo de ajudar.

O perigo está morando cada vez mais perto e bate na nossa porta com a cara mais deslavada do mundo. E, sem qualquer escrúpulo, aposta justamente no nosso coração mole e dele se aproveita para promover o mal.

Então, ainda convém ter cautela. Mesmo que – e isso é muito triste – ao custo de perder uma oportunidade de fazer o bem.


terça-feira, 22 de junho de 2010

Ninguém merece!

Sabe aquela fama que os órgãos públicos têm de atender mal? Pois tem alguns que fazem jus ao conceito com honra ao mérito. Um deles, sem dúvida, é o DETRAN. Lá os servidores parecem não conhecer a palavra servir, de onde deriva sua função. Aliás, no DETRAN o mau atendimento é superdimensionado e eu acho que até o mais tranquilo dos mortais perde a paciência.

Dia desses estive lá, na sede – sim, porque há postos avançados instalados nos shoppings e ao procurar um desses fui surpreendida pela notícia de que ele havia fechado – e peguei a senha de nº 398. Um senhor me deu a senha dele, a 339, pois estava cansado de esperar (estava lá há 1h e ½). Eu também me cansaria se tivesse que esperar mais de 59 pessoas serem atendidas. Porém, com o novo número, logo fui atendida, o que provavelmente teria ocorrido de qualquer forma, porque as pessoas desistiram de aguardar e foram – quase todas – embora.

O mais interessante é que a informação que fui buscar lá foi contestada dias depois por outro funcionário (em ida a outro posto do DETRAN) e eu fiquei sem saber o que fazer. Vou ter que voltar novamente e estou reunindo paciência para tal.

Mas, vou falar, ninguém merece pagar tão caro – qualquer um que tenha um veículo sabe o que destina para o DETRAN anualmente em IPVA, licenciamento, renovação de CNH, transferência, multas... – por um serviço tão ruim.

A droga é que – e isso decerto é o que justifica o abuso – a gente não pode dar um basta e procurar a concorrência, que é o que faríamos se estivéssemos comprando um sapato, uma geladeira ou qualquer outro bem junto a uma empresa privada.

Então, tem que engolir. O que não significa que não se possa reclamar, né?


segunda-feira, 31 de maio de 2010

Eu falo palavrão


Você fala palavrão? Eu sim, e às vezes acho que acabo abusando um pouquinho. Mas é que tem horas que – puta que pariu – a gente tem que desabafar. Para não explodir.

Aprendi a falar palavrão quando comecei a dirigir. E parece que isso não aconteceu só comigo, não. E nem poderia ser de outra forma, caralho, porque o trânsito aqui é mesmo uma merda. E uma boa parte dos motoristas também é filho da puta.

Tem alguns palavrões que não gosto de usar, acho ofensivo (como se tivesse algum que não fosse): corno, viado, vadia... Acho que se eu chamar alguém de viado com a intenção de xingá-lo, estou ofendendo alguém que é gay.

Uma das minhas filhas – cacete, essa fala palavrão pra caralho – recomenda o uso do palavrão como se ele tivesse uma ação terapêutica. E sabe que ela pode estar certa? Já tem estudos concluindo que falar palavrão pode amenizar a dor física, aliviar o estresse... E cá entre nós, falar um palavrãozinho de vez em quando é uma terapia verbal. Que liberta, porra!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Estou de dieta

Ou melhor, estou tentando seguir uma dieta. Preciso perder uns dez dos quase vinte quilos que ganhei ao longo dos últimos anos. Na verdade, quem está mesmo fazendo regime é minha filha. Eu entrei na onda dela. Mas... Vou confessar: tá difícil.

Com a melhor das intenções, minha cunhada, que perdeu 14 quilos dos 12 que pretendia perder (uma heroína, ela), trouxe aqui para casa uma pilha de revistas do tipo “entre em forma”. “É para ajudar, tem receitas ótimas”, justificou. Só que, convenhamos, folhear esse tipo de revista deixa a gente com a maior raiva. Não tem uma mulher gorda. Umazinha sequer. Na verdade, essas revistas só têm mulherão. São mulheres sem nenhum defeito. Lindas de morrer. Dos cabelos ao dedão do pé.

Pois são elas - essas beldades - que ilustram as matérias de títulos sugestivos que te convocam a ficar magrinha, a ficar durinha, a ganhar cinturinha, a ficar gatinha. A raiva explode quando você vê que para ficar igual a uma mulher dessas, você precisaria muito mais do que uma academia e exercícios pesados 24 horas por dia. Uma varinha de condão talvez fosse a solução. Ou então um tubo onde você pudesse, na entrada, selecionar as medidas e os atributos que gostaria de agregar ao seu corpo na saída.

Mas, quer saber? Isso tudo é bobagem, porque a vida acontece mesmo é fora das páginas da revista, onde vivem as mulheres redondinhas, com suas gordurinhas e seus mil defeitinhos. Este, sim, é o mundo real.


sábado, 1 de maio de 2010

A velhinha, o cachorrinho e as latas


A “veinha” tocou a campainha em casa. Depois de atendê-la, minha filha falou: – Ela está com o cachorrinho (que a segue pra todo lado, onde quer que ela vá). Você poderia escrever sobre isso.
Sinceramente, não sei o que escrever sobre o cachorrinho, mas posso escrever um pouquinho sobre a dona dele, a “veinha”, na verdade, uma senhorinha muito simpática que é nossa vizinha e vive às voltas de recolher lata ou fazer pequenos servicinhos aqui e ali. Não é tão velha quanto é maltratada, a pele riscada pelo sol e um tanto acho que pela dureza da vida. Pequenininha, tem os cabelos branquinhos e os mantém num coquinho, às vezes debaixo de um boné vermelho.
Nem tão velhinha, nem tão pobrezinha. Ela recebe aposentadoria como viúva e por isso mesmo não se aposentou – “para não perder o outro benefício”. Tem casa própria e a está ampliando. Nem por isso recusa uma oferta de algum alimento ou de uma roupa usada. E mantém sua rotina de ficar andando, sempre sob o sol forte, apanhando lata de casa em casa, no posto, no bar, na rua.
De vez em quando, as sacolas com latinha são tantas que ela pede para a gente guardar até ela concluir o recolhimento. Mais tarde volta e, então, num cabo de vassoura, encaixa sacola por sacola e, com o fardo sobre os ombros, retoma o caminho de casa. Isso quando não chega com o carrinho de mão carregado de latinhas e nessas ocasiões ele me parece ainda mais pequena.
Às vezes nos encontramos na feira do bairro e ela se aproxima, contente, para um abraço. Já contou que tem um filho e uma nora, embora nossas conversas girem mais sobre o tempo, sobre o preço das coisas, sobre a corrupção – e ela tem opinião bem formada sobre isso. O que me faz admirar ainda mais essa grande mulher que é essa miúda “veinha”.
Ah, o nome dela é Maria.