Como dói ler esses
relatos de abuso sexual contra crianças. E como são comuns. E o pior: a maior
parte deles acontece dentro de casa, no lugar onde supostamente as crianças
deveriam estar protegidas.
As pesquisas mostram o
seu lado mais cruel quando identificam que 38% dos abusadores são os pais das
crianças, ou seja, justamente aqueles a quem compete o papel de proteger a
família. Em segundo lugar, vêm os padrastos e na sequência, irmãos, avôs, tio,
primos... E muitas vezes o crime acontece sob o beneplácito das mães.
Pobres crianças! Sem
ter para onde correr, se fecham em seu próprio mundo, um mundo povoado de medo,
de dor, de culpa e de vergonha, sentimentos que passam a carregar vida afora.
Fantasmas que as assombram e atormentam. Feridas que muitas vezes jamais
cicatrizam.
A violência sexual
contra meninos e meninas acontece desde sempre, não se sabe em que proporção,
pois que eram acobertadas pelo manto da obscuridade, diferentemente de hoje, quando
começam a vir à tona e seus autores punidos pela legislação recente de proteção
aos direitos da criança.
Mas ainda se tem um
longo caminho a percorrer. E eu acredito que poderíamos ajudar muito se nos
esforçarmos para promover o resgate dos valores morais e espirituais que nos
diferenciam dos animais. Embora às vezes a gente não tenha tanta certeza de
quem são, na verdade, os animais. Se nós ou eles.






