segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Eu troco o BBB por um livro


Então, na tela, mais um BBB. Algo de novo? Nada. O velho festival de caras e bundas, amassos e pegação na piscina, na grama, na cama. “Heróis” mais que nutridos e entupidos de sólidos e de líquidos, se esbaldando nas pistas de dança e protagonizando o milionário show que vende carros, bebidas, alimentos, xampu, sabão e o que quer que seja.

Os brothers, cujo talento não costuma ir muito além de se exibir com pouca roupa, sacudir o traseiro e se refestelar na piscina, são exímios em promover baixarias, armadas ou não, que ganham proporções gigantescas, levando a audiência nas alturas e triplicando os ganhos da emissora. Vale tudo nesse jogo que atropela valores feito um rolo compressor.

Enquanto isso, tanta gente competente fora do ar. Artistas talentosos que poderiam nos brindar com sua arte não têm espaço na TV.

Mas, nem por isso nós, que estamos do lado de cá da tela, temos que engolir essa baboseira. É só usar o controle remoto. Para mudar o canal ou, simplesmente, para desligar a TV. De minha parte, troco o BBB por um bom livro.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Quer passar raiva? Vá ao Detran!



Hoje fui ao Detran renovar minha carteira de motorista. Como sempre, passei muita raiva. É impressionante como o serviço desse órgão é ruim. E fica cada vez pior. É tanta desorganização, tanta lentidão, tanta burocracia, tanta má vontade no atendimento, que mexe com os nervos de qualquer cidadão.

Eu não sei onde é aplicada toda a arrecadação feita pelo Detran e nem para que serviços ela se destina, mas de uma coisa eu tenho certeza: nada disso é revertido para prestar um atendimento decente aos contribuintes. Então, já é de praxe padecer nas longas filas de espera e se submeter ao processo nada dinâmico dos serviços prestados, embora as taxas de valor considerável cobradas.

“O Detran está sucateado”, falou a funcionária para quem eu pedi, emprestado, um grampeador e que me alcançou um negócio desengonçado e que não grampeava coisa nenhuma. Não é de duvidar, pelo que se vê no mau funcionamento. Mas é difícil de acreditar, quando se observa a movimentação constante de pessoas no caixa, onde, inclusive, contrariando uma tendência que impõe o uso de máquinas de débito até nas feiras livres, só é admitido o pagamento em dinheiro.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Porta aberta para o Ano Novo


Ano Novo é sempre Ano Novo. As esperanças se renovam. As expectativas se redobram. É como se a gente ingressasse num mundo novo. É uma coisa assim quase palpável. É como se ali no fim do ano tivesse uma porta que se fecha no dia 31 e se abre no dia 1º como um amanhecer cheio de luz. E, atrás da porta, aguardando a nossa passagem, uma imensidão de potes coloridos, contendo cada qual os nossos desejos, dos mais singelos aos mais ardentes: boa saúde, sucesso profissional, projetos bem sucedidos, emprego novo, carro do ano, casa própria, mais dinheiro, harmonia no lar, um filho, um novo amor, uma grande paixão...

Só que, mal a porta se abre, a rotina se instala novamente, e os desejos – senão todos, a maior parte deles – são devolvidos ao pote e engavetados para o ano seguinte.

Mas, isso pouco importa diante da intensidade desse período de festas, que nos enche de alegria e nos remete a uma temporada de boas vibrações. Uma temporada de férias aos maus pensamentos, às preocupações, às energias negativas.

E vamos combinar, que isso faz um bem danado ao coração, ah faz.

Que se abra, pois, a porta e que ela nos revele, de imediato, um mundo novo. Um mundo sem tantas fronteiras. Um mundo em que as pessoas se mantenham “acima da cobiça, do ódio e da brutalidade” (Charles Chaplin). Um mundo mais fraterno. Um mundo mais humano. Um mundo infinitamente melhor para se viver.


sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A Fila de Natal do vovô

Em todos os natais, meu pai presenteia os netos com uma nota que atualmente é de R$ 100,00. Eu não lembro bem, mas isso começou há 19 ou 20 anos, quando minhas filhas eram pequeninhas. Na época, eu e meus quatro irmãos nos reuníamos todos os finais de ano na casa dos meus pais, em Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul.

E foi lá que, num certo Natal, meu pai mandou os netos fazerem uma fila e deu a cada um uma nota Cr$ 5,00 (5 cruzeiros). Daí em diante a Fila virou uma tradição e também uma atração, documentada por inúmeras fotos que retratam o evento ano a ano.
Teve um Natal que passamos (quase) todos na praia e a fila teve um sabor especial de mar. Em outra ocasião, a nota foi convertida em dólar. Com o nascimento dos gêmeos, filhos da minha sobrinha, os bisnetos também passaram a fazer parte da Fila. E no seu aniversário de 80 anos (hoje ele está com 84), fomos nós, os filhos, que invertemos o processo e, em fila, oferecemos a ele uma nota.
Neste ano, os netos e bisnetos vão estar espalhados entre Santo Ângelo, Porto Alegre, Curitiba e Cuiabá. E em cada lugar desses vai acontecer uma Fila de Natal do vovô.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

As cucas da Dona Othilia

Final de ano. Natal. Ano Novo. Ai que saudades das cucas da Dona Othilia!

Dona Othilia era minha mãe e das suas mãos cheias de farinha brotavam umas cucas que, vou te falar, eram maravilhosas. Suas cucas eram fofas, fartamente recheadas com cremes de diferentes cores e sabores e salpicadas de farofa doce.

Se tinha uma coisa que ela não gostava de economizar era nas guloseimas que preparava para esperar os filhos e os netos nas festas de final de ano. Então, nos empanturrávamos de suas cucas, seus pavês, seus sorvetes caseiros, suas Marta Rocha, seus rocamboles...  

À comilança se misturavam outros ingredientes: a alegria dos reencontros, a algazarra da criançada, a farra entre irmãos, o Papai Noel, os presentes de Natal.

Que saudades do Natal na casa da Dona Othilia!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O peso de ter que perder peso





Expostas nas bancas, nas prateleiras dos supermercados e das lojas de conveniências, as revistas nos massacram com suas repetitivas chamadas de capas:

Dieta Antigordura: para ficar magra de vez

Seque as gordurinhas

Queime calorias mais rápido

Perca peso em duas semanas

Caminhada seca-barriga

Perder peso, para quem tem muito, é mesmo uma questão de saúde. Mas, a meu ver, isso já está virando terrorismo. Ser magra virou uma obrigação.

Aliás, essa expressão PERDER PESO está totalmente fora de moda. “Quem perde, acha”, justificam os que defendem a idéia. Então, podemos substituir o termo PERDER por ELIMINAR. Assim, acho que fica de bom tamanho (?). Apesar de que é mais top usar o verbo SECAR.

É claro que alimentação virou sinônimo de saúde. Ou vice e versa. E a obesidade deve ser evitada a todo custo. Porque a gordura excessiva é muito mais do que um problema estético, já que predispõe o organismo a uma série de doenças, além de limitar os movimentos do corpo e facilitar a contaminação por fungos e a degeneração de articulações, entre outros inconvenientes.

Mas, daí a fixar um único padrão é exagero. Um pouco de equilíbrio aí nessa história vai cair bem.  E cá pra nós, nada melhor do que cada qual procurar viver de bem consigo mesmo, independente de seus quilinhos a mais, sem culpa e sem neuroses, deixando – isso, sim, é legal – transparecer a beleza que está dentro de cada um de nós.

Ser magra não precisa ser obrigação. E nem obsessão.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Gorjetas, esmolas e conselhos


Sempre que posso, dou uma gorjeta ao empacotador do supermercado, ao entregador de água, ao entregador de medicamentos... Vejo nisso uma maneira de valorizar o seu trabalho e de contribuir para aumentar a sua renda, além de estimular seu gosto pelo trabalho.

Ao contrário, não costumo dar dinheiro assim, de graça, a quem acha mais fácil só pedir, sem oferecer nada em troca. É uma questão de princípios e mesmo que não seria justo para com aqueles lá e os outros tantos que compõem a massa economicamente ativa desse país.

É óbvio que não estou falando de caridade e sim do oportunismo praticado nas ruas, nos semáforos, nas portas de bancos e mesmo nos portões das nossas casas, onde os pedidos de dinheiro se sucedem, com as mais esfarrapadas desculpas: voltar para a terra natal, fazer o velório da filha, comprar o caixão da mãe, comprar fraldas geriátricas... E isso me lembra uma piada que é mais ou menos assim: 

O mendigo chega para uma senhora e pede uma esmola. Ela diz a ele: - Em vez de ficar pedindo esmolas, por que não vai trabalhar? - Dona... - retruca o mendigo - Estou pedindo esmola e não conselhos!