Acredite: hoje eu escrevi uma carta. À moda antiga. Só faltou aquele papel de seda fininho, que de tão fininho fazia a tinta atravessar para o outro lado. E agora estou aqui pensando: será que ainda se escreve carta hoje em dia? Acho que tem gente que nem sabe o que é isso.
Em tempos de Twitter, Facebook, Orkut e outras ferramentas modernas de comunicação, escrever carta é uma coisa assim quase pré-histórica. Mas, em outros tempos, era uma coisa maravilhosa.
Portadora de boas e de más notícias, a carta levava dias, às vezes meses, para chegar a seu destino. Receber uma carta era uma emoção tamanha. E quando ela vinha salpicada de paixão?
No rádio, A Carta, na voz de Erasmo Carlos, fazia um tremendo sucesso:
Escrevo-te
Estas mal traçadas linhas
Meu amor!
Porque veio a saudade
Visitar meu coração
Espero que desculpes
Os meus errinhos por favor
Nas frases desta carta
Que é uma prova de afeição...
Talvez tu não a leias
Mas quem sabe até darás
Resposta imediata
Me chamando de "Meu Bem"
Porém o que me importa
É confessar-te uma vez mais
Não sei amar na vida
Mais ninguém...
E para terminar
Amor assinarei
Do sempre, sempre teu...
Os tempos mudaram. As notícias, hoje, chegam em tempo real. E a caixinha de correspondência, tão charmosa em outros tempos, hoje é quase figurativa. Virou repositório de boletos de cobrança e de folhetos de propaganda.









